- Texto para a aula de Autor na Comunicação
Cogito Ergo Sum
(Elizamara
Araujo Bez)
Uma quinta
feira é como qualquer outro dia, até mesmo o sábado. Para quem não sai nem para
ir comprar um litro de leite para a mãe no mercado ao lado, o desânimo de
segunda feira dura a semana toda. O problema é quando há aqueles dias em que se
resolve não ligar o computador, não assistir televisão, nem mesmo suportar o
rádio ligado em horário de almoço para escutar a previsão do tempo. São aqueles
dias em que o pensamento crítico corre solto, que a informação está com sede e
o conhecimento corre com rispidez no alfabeto alheio. Não posso dizer que seria um mau humor, mas
sim um ceticismo sem tamanho. A
sinceridade reina em qualquer discurso que se permita duvidar. São esses dias
que se deve tomar cuidado, não é bom ir na varanda, nem achar uma janela para
espiar a rua; pois acredite, toda as pessoas que passarão por você, serão seus
inimigos. Hipócritas, criadoras de confusões não racionais e que pareçam estar
dormindo a vida toda, são os habitantes. Até o andar deles o irritarão, assim
como acenar para algum carro qualquer, tão como apenas olhar para algum outro
alguém que está passando na rua. Todos parecerão apenas alguns pedaços de carne
ambulantes pelo mundo afora. No que eles pensam? Qual é a expectativa de vida
dessas pessoas? Será que algum ao menos se pergunta o que estaria com vontade
de comer?
O fato de eu
estar em um momento atento e acordado, faz com que todos pareçam zumbis,
vagando com medíocres personalidades e se posicionando como o centro do seu
próprio universo. Mas aquelas pessoas têm memórias, têm famílias, têm um algo
pelo que se viver, talvez até pensem como você. Porém, nessas quintas feiras
malditas, todo mundo é apenas um ser.
Assim me
despeço da rua, com o céu já acinzentado, com os empreendimentos que rodeiam
minha casa já em horário de fechar. Minha mãe chega em casa com uma sacola
cheinha de pão perguntando se tem leite. Não tem, e é aí que eu entro em
pânico.