terça-feira, 10 de setembro de 2013

Cogito Ergo Sum

- Texto para a aula de Autor na Comunicação
Cogito Ergo Sum
(Elizamara Araujo Bez)
Uma quinta feira é como qualquer outro dia, até mesmo o sábado. Para quem não sai nem para ir comprar um litro de leite para a mãe no mercado ao lado, o desânimo de segunda feira dura a semana toda. O problema é quando há aqueles dias em que se resolve não ligar o computador, não assistir televisão, nem mesmo suportar o rádio ligado em horário de almoço para escutar a previsão do tempo. São aqueles dias em que o pensamento crítico corre solto, que a informação está com sede e o conhecimento corre com rispidez no alfabeto alheio.  Não posso dizer que seria um mau humor, mas sim um ceticismo sem tamanho.  A sinceridade reina em qualquer discurso que se permita duvidar. São esses dias que se deve tomar cuidado, não é bom ir na varanda, nem achar uma janela para espiar a rua; pois acredite, toda as pessoas que passarão por você, serão seus inimigos. Hipócritas, criadoras de confusões não racionais e que pareçam estar dormindo a vida toda, são os habitantes. Até o andar deles o irritarão, assim como acenar para algum carro qualquer, tão como apenas olhar para algum outro alguém que está passando na rua. Todos parecerão apenas alguns pedaços de carne ambulantes pelo mundo afora. No que eles pensam? Qual é a expectativa de vida dessas pessoas? Será que algum ao menos se pergunta o que estaria com vontade de comer?
O fato de eu estar em um momento atento e acordado, faz com que todos pareçam zumbis, vagando com medíocres personalidades e se posicionando como o centro do seu próprio universo. Mas aquelas pessoas têm memórias, têm famílias, têm um algo pelo que se viver, talvez até pensem como você. Porém, nessas quintas feiras malditas, todo mundo é apenas um ser.

Assim me despeço da rua, com o céu já acinzentado, com os empreendimentos que rodeiam minha casa já em horário de fechar. Minha mãe chega em casa com uma sacola cheinha de pão perguntando se tem leite. Não tem, e é aí que eu entro em pânico.

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