segunda-feira, 30 de julho de 2012

Caixa Rasgada



- Deixe-me descrever o cenário.
Um céu coberto por serração já meio avermelhado pela luz do universo. Uma noite gostosa de se ficar na rua, só escutando o barulho das marolas do mar se esgueirando nas areias do lado norte e do lado sul, duas saídas em uma dessa sinfonia. Nada alto, parecia mais uma lagoa. Logo em frente a um morro onde separa mar de terra, cá estou eu sentada descrevendo essa noite . Logo passa uma coruja piando em direção ao ninho nos morros. Meu pai acabou de voltar de lá, da beira dele, das pedras. Cheirando a peixe e trazendo-os para o almoço de amanhã. Esse sossego  incomparável! Sem caminhões, buzinas, freios, cheiros esquisitos. Só o da maresia que inunda meu eu e abre minha mente pra pensar. Talvez nem pensar, relaxar, finalmente. Com uma música contraditória na cabeça do artista Greyson Chance, logo a frase: Living inside de box. Penso eu agora estar em uma caixa aberta. Aberta não, rasgada! O desespero de querer sair e respirar esse ar puro e fantástico da praia e me libertar. De pessoas, de rotinas, de ignorâncias remediadas no dia-a-dia que no fim, se tornam um twister de entretenimento para que possamos pelo menos viver algo diferente, sabendo que não tão sério, pra depois poder decansar.  É ótimo estar aqui, escutando essa orquestra de liberdade.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Momento Único

- Uma noite agradável.
Um sofá macio recostado na parede em meio a uma janela enorme, que cabiam 4 crianças debruçadas. Meia-luz, logo atrás a dona da casa descascando ovos cozidos para por em vidros de conserva, volta e meia pegávamos um escondido, era bom demais.
Era como um chalé, uma área separada da enorme casa de telhado pontudo e janelas oriundas da arquitetura antiga. 
Cansados de correr e falar, nos posicionamos exatamente como a janela permitia, debruçados no beiral e ajoelhados no sofá. Eis que vimos algo gigante, como um olho de trasgo, só que exuberantemente cheio em nossa frente e alaranjado. Era a lua, baixa como o sol que se pôs e linda como... como uma lua! Encaramos aquela bola de luz que se camuflava com a luz da lâmpada fraquejada do local em nossos rostos. Começamos a imaginar coisas, como uma pequena bruxa passando de vassoura na frente dela, bem comum com um chapéu, capa e botas pontudas. Dizíamos aquilo como um terror, sendo a descrição hoje em dia, bem balaia. Sei que nos fixamos naquilo por uns bons 20 minutos, parecia mágica.
Hoje não sei se aquelas outras crianças ainda lembram dessa imagem, ainda eu sendo a mais nova entre todos na época. É um quadro que nem querendo, poderei me esquecer. Muito menos de como me senti naquela noite; inteiramente integrada.

Bloco de Notas

- É como agora!
Ocorrem tempos em meu dia que não memoriam mais de um. Uma vez é o suficiente para que a ideia recorra em meu cérebro e se vai. Nem que eu tente cogitar em que posição, hora, onde ou falando com quem, eu consigo lembrar. Tudo o que eternizo em meu blog, se esvai de meu cérebro como um desabafo insano. Algumas perdem a magia do passado, fazendo que minha mente relaxe quanto aquilo, quanto as emoções fortes que senti. Isso motiva a seguir em frente sem querer voltar, mudanças drásticas boas ou deteriorantes, só a memória boa é que vale. É como um bloco de notas: anotado, mas ter de olhar para se lembrar é o principal.

sábado, 14 de julho de 2012

Viver ou Existir?


- Era um dia nebuloso, minha cidade rodeada por serras e picos entre nuvens cinzentas, uma escola bem em frente àquela janela, aquele portal de vidro onde podíamos eu e minha amiga de sempre, estarmos sem nada para fazer e apreciar aquele mundo a fora.
Crianças enfervecidas pelo sinal da saída. Nós, logo a 1 andar acima, podendo observar a tudo e a todos sem que ninguém nos vissem. Este é o sonho de toda a mulher, não é? Pois então, digo exatamente o contrário depois de que minha amiga me fez uma questão muito intrigante:
• Eliza, tu vive ou tu existe?
Eu ainda muito pequena, sem nunca ter pensado sobre, pausei um minuto e disse: bom, eu acho que vivo...
E sem mesmo eu precisar perguntar o mesmo para ela, eis a resposta: Eu só existo.
Tive coragem de perguntar o porquê e ela simplesmente me respondeu, debruçada à janela e olhando para as crianças correndo estupefatas e libertas para fora da escola: Eu não sei, só existo.

Hoje meus olhos de TIGRE conseguem focar esta resposta; não só para aquele dia e para ela, mas para mim.


Dedico este texto para uma amiga muito especial, que desde que nasci está ao meu lado compartilhando risadas, cultura e a própria vida. Feliz dia do amigo!

domingo, 1 de julho de 2012

Uma Crônica chamada Vida



- A garota estava caminhando quando de repente se viu ao lado de uma moto. Um homem ainda sobre ela, ajeitando cuidadosamente seus cabelos já finos, meio calvo com seus dedos calejados e secos. A pele não parecia saudável como botox ou creme hidradante. Os esforços do trabalho manual transparecia naquele homem de alma ingênua, provavelmente honesto e sincero quanto a sua vontade de viver.

Eu percebi naquele momento uma onda de mártir me consumir. Eu queria continuar a caminhar e ter aquele templo claro em meu interior. Queria continuar a caminhar e queria também que aquela boa onda que me invadiu permanecesse até eu poder presenciar outra cena como essa.  

Vida, como separar suas tênues linhas sociéticas e conspiradoras? Uma só definição para tanto... uma vez dita e entendida ao qual meio você vive, louco. Tudo generalizado seria besteira, não poderíamos compartilhar de nossas mesmas castas. Não com tanta gente igual a nós.
“Cogito ergo sum” – “Penso, logo existo”  (Latim) foi essa a definição de ordem que René Descartes nos apresentou. Existo? Existo. Todos existem, você existe.  Meros movimentos, ações e palavras ditas que foram deixadas para trás, existiram. Parte de nossa solitude e consciência captada nestas poeiras universais permanecem em silêncio e mistério. Como o Cosmo existe. Existem em nossa memória.

Não chore, não deixe, não esqueça. Uma crônica chamada vida, simples vida.