- Deixe-me descrever o cenário.
Um céu coberto por serração já meio avermelhado pela luz do
universo. Uma noite gostosa de se ficar na rua, só escutando o barulho das
marolas do mar se esgueirando nas areias do lado norte e do lado sul, duas
saídas em uma dessa sinfonia. Nada alto, parecia mais uma lagoa. Logo em frente
a um morro onde separa mar de terra, cá estou eu sentada descrevendo essa noite
. Logo passa uma coruja piando em direção ao ninho nos morros. Meu pai acabou
de voltar de lá, da beira dele, das pedras. Cheirando a peixe e trazendo-os
para o almoço de amanhã. Esse sossego
incomparável! Sem caminhões, buzinas, freios, cheiros esquisitos. Só o
da maresia que inunda meu eu e abre minha mente pra pensar. Talvez nem pensar,
relaxar, finalmente. Com uma música contraditória na cabeça do artista Greyson
Chance, logo a frase: Living inside de box. Penso eu agora estar em uma caixa
aberta. Aberta não, rasgada! O desespero de querer sair e respirar esse ar puro
e fantástico da praia e me libertar. De pessoas, de rotinas, de ignorâncias
remediadas no dia-a-dia que no fim, se tornam um twister de entretenimento para
que possamos pelo menos viver algo diferente, sabendo que não tão sério, pra
depois poder decansar. É ótimo estar
aqui, escutando essa orquestra de liberdade.




