segunda-feira, 30 de julho de 2012

Caixa Rasgada



- Deixe-me descrever o cenário.
Um céu coberto por serração já meio avermelhado pela luz do universo. Uma noite gostosa de se ficar na rua, só escutando o barulho das marolas do mar se esgueirando nas areias do lado norte e do lado sul, duas saídas em uma dessa sinfonia. Nada alto, parecia mais uma lagoa. Logo em frente a um morro onde separa mar de terra, cá estou eu sentada descrevendo essa noite . Logo passa uma coruja piando em direção ao ninho nos morros. Meu pai acabou de voltar de lá, da beira dele, das pedras. Cheirando a peixe e trazendo-os para o almoço de amanhã. Esse sossego  incomparável! Sem caminhões, buzinas, freios, cheiros esquisitos. Só o da maresia que inunda meu eu e abre minha mente pra pensar. Talvez nem pensar, relaxar, finalmente. Com uma música contraditória na cabeça do artista Greyson Chance, logo a frase: Living inside de box. Penso eu agora estar em uma caixa aberta. Aberta não, rasgada! O desespero de querer sair e respirar esse ar puro e fantástico da praia e me libertar. De pessoas, de rotinas, de ignorâncias remediadas no dia-a-dia que no fim, se tornam um twister de entretenimento para que possamos pelo menos viver algo diferente, sabendo que não tão sério, pra depois poder decansar.  É ótimo estar aqui, escutando essa orquestra de liberdade.

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