- A garota estava
caminhando quando de repente se viu ao lado de uma moto. Um homem ainda sobre
ela, ajeitando cuidadosamente seus cabelos já finos, meio calvo com seus dedos
calejados e secos. A pele não parecia saudável como botox ou creme hidradante.
Os esforços do trabalho manual transparecia naquele homem de alma ingênua,
provavelmente honesto e sincero quanto a sua vontade de viver.
Eu percebi naquele momento uma onda de mártir me consumir.
Eu queria continuar a caminhar e ter aquele templo claro em meu interior.
Queria continuar a caminhar e queria também que aquela boa onda que me invadiu
permanecesse até eu poder presenciar outra cena como essa.
Vida, como separar suas tênues linhas sociéticas e
conspiradoras? Uma só definição para tanto... uma vez dita e entendida ao qual
meio você vive, louco. Tudo generalizado seria besteira, não poderíamos
compartilhar de nossas mesmas castas. Não com tanta gente igual a nós.
“Cogito ergo sum” – “Penso, logo existo” (Latim) foi essa a definição de ordem que
René Descartes nos apresentou. Existo? Existo. Todos existem, você existe. Meros movimentos, ações e palavras ditas que
foram deixadas para trás, existiram. Parte de nossa solitude e consciência captada
nestas poeiras universais permanecem em silêncio e mistério. Como o Cosmo
existe. Existem em nossa memória.
Não chore, não deixe, não esqueça. Uma
crônica chamada vida, simples vida.

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