- Uma noite agradável.
Um sofá macio recostado na parede em meio a uma janela enorme, que cabiam 4 crianças debruçadas. Meia-luz, logo atrás a dona da casa descascando ovos cozidos para por em vidros de conserva, volta e meia pegávamos um escondido, era bom demais.
Era como um chalé, uma área separada da enorme casa de telhado pontudo e janelas oriundas da arquitetura antiga.
Cansados de correr e falar, nos posicionamos exatamente como a janela permitia, debruçados no beiral e ajoelhados no sofá. Eis que vimos algo gigante, como um olho de trasgo, só que exuberantemente cheio em nossa frente e alaranjado. Era a lua, baixa como o sol que se pôs e linda como... como uma lua! Encaramos aquela bola de luz que se camuflava com a luz da lâmpada fraquejada do local em nossos rostos. Começamos a imaginar coisas, como uma pequena bruxa passando de vassoura na frente dela, bem comum com um chapéu, capa e botas pontudas. Dizíamos aquilo como um terror, sendo a descrição hoje em dia, bem balaia. Sei que nos fixamos naquilo por uns bons 20 minutos, parecia mágica.
Hoje não sei se aquelas outras crianças ainda lembram dessa imagem, ainda eu sendo a mais nova entre todos na época. É um quadro que nem querendo, poderei me esquecer. Muito menos de como me senti naquela noite; inteiramente integrada.

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